Aula 6: Plays
Já vimos que não existem duas empresas iguais, tal como não existem duas pessoas iguais. No entanto é possível agrupar as empresas tendo em conta determinadas caraterísticas, por exemplo pelo setor de atividade, ou pela sua dimensão ou até pela pertença a um determinado índice de Bolsa.
Um dos agrupamentos mais úteis que, como investidores, podemos fazer é por tipo de plays, isto é, categorizar as empresas pelo género de oportunidade de investimento que apresentam.
Neste mini-curso de Ações vamos falar sucintamente de 6 tipos de plays:
- Value play
- Dividend play
- Growth play
- Cíclica
- Turnaround play
- Asset play
Value play é quando a oportunidade tem a ver com o estado de subavaliação da empresa, que pode ser identificado através de múltiplos baixos (PSR e PER abaixo da média do mercado) ou também porque o Price to Book Value é significativamente inferior à unidade, indicando que o mercado estará a subavaliar a empresa em relação ao seu Valor Contabilístico. Neste género de plays a ideia é que a ação corrija o seu estado de subavaliação, valorizando.
Dividend play, tal como o nome indica, tem a ver com a oportunidade dada por um dividend yield elevado, significativamente acima do yield oferecido pelas Obrigações do Tesouro. Por exemplo, se a ação STUV exibe um dividend yield de 5%, enquanto que as OTs estão a dar menos de 2% de juro, estaremos perante uma dividend play.
Nota: Dividend yield = Dividendo por ação / Cotação (apresenta-se em percentagem).
Growth play é, tal como o nome indica, uma oportunidade que tem a ver com o crescimento da empresa em termos de longo prazo. Se as Vendas e especialmente o Lucro por Ação for aumentando a taxas elevadas (tipo, mais de 15% ao ano), estará perante uma growth play. Estas são as oportunidades que em princípio terão mais potencial de valorização, ainda que tenha de ser considerado o preço… se a ação for comprada muito cara (isto é, com múltiplos elevados), a ação poderá não valorizar, mesmo que a empresa efetivamente cresça bastante.
Cíclica é uma play muito especial, pois deve ser comprada quando as tendências fundamentais dos últimos anos são negativas, e vendida quando são positivas. Isto porque a empresa, pelo tipo de atividades em que está envolvida, oscila entre fases muito positivas e fases negativas. Por vezes os investidores confundem as cíclicas com growth plays ou com value plays e sofrem perdas pesadas.
Turnaround play é uma cíclica cuja fase descendente foi de tal forma negativa que a própria sobrevivência da empresa estará em causa. Esta é uma play de alto risco, mas quando funciona, pode trazer retornos muito elevados num curto espaço de tempo, com a cotação a recuperar de quedas que não raro foram superiores a 90%. É claro que se uma ação cair 90%, para voltar ao mesmo sítio terá de decuplicar!
Asset play é uma value play mas, em vez de ser baseada em múltiplos abaixo da média do mercado, tem a ver com uma suposta subavaliação dos Ativos no Balanço. Os investidores que se interessam por este género de plays procuram diferenças substanciais entre o valor económico (ou de mercado) de determinados Ativos e o valor pelo qual estão inscritos no Balanço pela contabilidade. Depois esperam por um catalisador positivo que faça realçar o verdadeiro valor desses ativos (por exemplo, uma OPA).
É evidente que estas 6 plays foram apresentadas de forma muito resumida e também que existem mais tipos de plays que será importante conhecer.
Chegou ao fim do Mini-Curso de Ações… foram 6 episódios que esperamos o tenham elucidado um pouco mais acerca de alguns dos temas da Análise Fundamental de Ações individuais.
Aquilo que aprendeu foi apenas o riscar da superfície do que há para saber sobre Análise Fundamental, que é uma técnica bastante complexa, mas muito compensadora para os investidores de longo prazo.
É perigoso e desaconselhado fazer Análise Fundamental baseado apenas naquilo que viu no Mini-Curso de Ações, pois estará vulnerável a uma série de erros de principiante e armadilhas que poderão custar-lhe muito caro no mercado de ações. Na Bolsa pode ser mais arriscado confiar numa análise demasiado simplista do que investir “às cegas”.
Nos próximos episódios ser-lhe-á apresentado o Curso de Ações Avançado, que aprofunda muito e se expande por todas as áreas da Análise Fundamental.
Fique atento a tudo o que poderá aprender e ao que poderá ganhar, em termos de segurança e retorno dos seus investimentos de longo prazo em ações.