Skin in the Game

Fotografia de Américo Amorim,

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Na publicação de hoje da nossa Escola de Bolsa falamos do saudoso Américo Amorim e do chamado “skin in the game”!
Um dos princípios que consideramos mais importantes no Investimento em Ações é a compreensão que, ao decidir ser acionista de determinada empresa, escolheu ser dono de uma parte da mesma, com tudo o que isso tem de bom e de mau. Essa perspetiva de “co-propriedade” da empresa é essencial em vários aspetos, mas talvez o mais relevante seja a união que se firma entre a sua prosperidade ou ruína financeira e a daquela empresa!
Porquê esta introdução?
Porque quando analisamos os fundamentais de uma empresa, um dos itens da lista a analisar é, necessariamente, a Estrutura Acionista. Queremos saber, por exemplo, quem são os 10 maiores acionistas. E há, essencialmente, quatro categorias de investidores:
  • Pequenos Investidores: individuais ou institucionais, mas que controlam pequenos montantes de capital;
  • Grandes Fundos: compram de forma quase indiscriminada, procurando primeiro a diversificação;
  • Acionistas Activistas: investidores que adquirem uma porção significativa do capital da empresa e que têm uma postura ativa, procurando que a Equipa de Administração da Empresa tenha os interesses alinhados com os seus;
  • Acionistas da Equipa de Gestão: membros do Conselho de Administração da empresa que são também grandes acionistas na mesma.
Estes últimos são aqueles que mais gostamos de ver, porque têm skin in the game, ou seja, têm muito a ganhar e também muito a perder com os destinos da empresa. Nada melhor do que uma história portuguesa para ilustrar:
Em 2009, a Corticeira Amorim tinha quebrado um mínimo histórico de 2003, transacionando abaixo dos 0,70€. Na altura havia até um confronto entre a Análise Técnica e a Análise Fundamental, pois os fundamentais da empresa estavam em evidente melhoria, mas ninguém parecia interessado na aborrecida Corticeira. Mas, naquele mínimo de 2009, Américo Amorim, acionista maioritário, estava a comprar tudo o que fosse vendido no mercado e a acumular ações! E ninguém conhecia melhor a empresa do que ele, nem ninguém teria tanto interesse no seu sucesso quanto ele – o tal skin in the game. Facto é que em 2009 iniciou-se uma cavalgada histórica da Corticeira Amorim até aos quase 13€ por ação, atingidos em 2017, ano do falecimento de Américo Amorim, um retorno bem superior a 1000%, de quase 50% ao ano.
Retenha então: Skin in the Game é uma das situações que, como investidores em ações, mais apreciamos encontrar na Equipa de Gestão da Empresa.

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