Plays

Fotografia de Peter Lynch, lendário investidor

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No Mundo inteiro, há quase 50 000 empresas de capital aberto nas quais poderá investir!

Em Portugal temos atualmente 55 cotadas na Euronext Lisbon, mas, por exemplo do outro lado do Atlântico, tem ao seu dispor 6 000 empresas norte-americanas potenciais candidatas ao seu portefólio.

Mas como organizar tantas empresas de forma que não nos percamos nesse oceano de ações?

Há diversas formas de o fazer, seja pelo setor de atividade da empresa, pela sua dimensão (market cap) ou até pelo índice de Bolsa a que determinada empresa pertence. Mas um dos nossos autores favoritos e, ele próprio, investidor lendário, Peter Lynch, propôs categorizar as empresas pela oportunidade de investimento que apresentam, a que chamou plays, numa abordagem muito mais pragmática para o investidor.

Com base na abordagem de Lynch, apresentamos-lhe 6 diferentes plays:

  • Dividend play: empresas que apresentam dividend yields elevados, significativamente acima do yieldoferecido pelas Obrigações do Tesouro, e que não só proporcionam retorno direto aos investidores (por via dos dividendos) como um potencial de valorização, visto que se o dividend yield estiver acima da média histórica, poderá indicar subavaliação da empresa.
  • Value play: empresas que, face ao seu Valor Contabilístico (Book Value) se encontram evidentemente subavaliadas. Alguns indicadores possíveis são rácios como o PSR e PER abaixo da média do mercado, ou um Price to Book Value significativamente inferior à unidade.
  • Growth play: empresas com elevadas de taxas de crescimento expectáveis, em termos de longo prazo. Se as Vendas e, especialmente, os lucros aumentarem a ritmo elevado (por exemplo, mais de 15% ao ano), estará perante uma growth play. São oportunidades com grande potencial de valorização, mas que trazem, claro, riscos associados: queremos prudência para evitar expectativas de crescimento futuro demasiado otimistas e não queremos comprar demasiado caro (múltiplos muito elevados).
  • Cíclica: plays curiosas, por serem contraintuitivas e facilmente incompreendidas. São empresas cuja atividade varia entre fases muito positivas e fases muito negativas (ciclos). Devem ser compradas quando as tendências fundamentais dos últimos anos são negativas, e vendida quando são positivas, caso contrário poderá encontrar-se na fase errada do ciclo.
  • Turnaround play: empresas que tiveram uma deterioração tão grande de valorização, de fundamentais e de sentimento do investidor que a própria sobrevivência da empresa está em causa. Ainda assim, algo (um catalisador) indica que poderá sobreviver e recuperar para melhores dias. São plays de alto risco, mas quando funcionam, pode trazer retornos muito elevados num curto períodode tempo, com a cotação a recuperar de quedas que não raras vezes foram superiores a 90%.
  • Asset play: empresa que possuem no seu Balanço alguns Ativos ignorados ou bastante subavaliados pelo mercado. Inclusive, podem ser Ativos que incorretamente registados no Balanço, com valor económico superior ao registado nas contas. Após encontrar uma asset play, resta esperar por um catalisador positivo que faça realçar o verdadeiro valor desses ativos (por exemplo, uma OPA – Oferta Pública de Aquisição).

Há plays para todos os gostos e há empresas que se enquadram em diferentes tipos de plays. Pode encontrar, por exemplo, uma excelente pagadora de dividendos com múltiplos de valorização muito comprimidos, portanto simultaneamente dividend play value play.

Mas perceba também o conceito implícito: é necessário estudar aprofundadamente as empresas para compreendermos as oportunidades que nos podem dar!

 

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