Acerca da Independência Financeira

independência financeira

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Hoje vou sair da minha área de competência – a Análise Fundamental de ações cotadas em Bolsa – e entrar por campos filosóficos onde porventura serei controverso.

É que tenho falado com alguns investidores que sonham com a “independência financeira”, como se fosse o evento libertador que lhes irá trazer a felicidade absoluta.

Não vai, porque a felicidade conquista-se aqui e agora, em cada momento.

Quando eu era mais jovem também sonhava – e praticava – a independência a todos os níveis. Dizia assim: “não tenho patrões, nem clientes, nem empregados: sou só eu e o mercado.” Fiz isso durante alguns anos e parecia que era o supra-sumo da independência e liberdade, mas na realidade estava numa situação de isolamento algo deprimente.

Com o tempo vim a compreender que independência, liberdade e felicidade não são sinónimos, que de facto era necessário tornar-me mais dependente para ser mais livre e feliz. Dependente de clientes, de empregados, de uma série de pessoas que enriquecem a minha vida e me permitem uma série de opções.

Tenho uma certa habilidade para lidar com pessoas com mais de 80 anos, que se abrem muito comigo… percebo que, ao nível psicológico, os seus problemas têm a ver com isolamento e uma sensação de inutilidade. Ficam felizes quando conseguem fazer duas coisas: conviver e, de alguma forma, serem úteis!

O homem mais rico do mundo, Elon Musk, deu o seguinte conselho aos jovens:

When asked what advice he would give to young people who want to do something big, Musk simply responded by saying “try to be useful”.

Musk mentioned that the young generation should do things that are useful to fellow human beings and to the world. “It’s very hard to be useful,” Musk stated, urging young people to “contribute more than you consume”.

Concordo em absoluto.

As pessoas que sonham com a independência financeira, com a reforma, estão na realidade a ter um pesadelo repleto de solidão e inutilidade.

É mais positivo pensar em estratégias de prolongamento da sua utilidade e intervenção na comunidade.

Veja-se o exemplo de Warren Buffett, o maior investidor em ações de todos os tempos… com 91 anos continua a ser o CEO da Berkshire Hathaway, trabalhando diariamente. Porque precisa? Obviamente que não. Porque gosta de ser útil 😉

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