A primeira nuance

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Quando vê um gráfico deste género…

grafico das acoes da Europlasma aleup paris - Bolsa de Paris

…pensa “esta ação já esteve a 2.000 € e agora está a 0,11 €!” ?

Se pensa isso… está enganado, esta ação nunca esteve, nem pouco mais ou menos, a 2.000 €.

Este género de gráficos é comum a muitas cotadas e como o mercado de ações não vem com livro de instruções, é natural que muitos investidores iniciados caiam nesta esparrela.

No e-book “O Mistério da Análise Fundamental de Ações Revelado” na resposta à pergunta “quanto é que a empresa custa?”, indiquei-lhe a fórmula seguinte:

Capitalização bolsista = Cotação * N.º de Ações emitidas

A questão é que não é só a variável “cotação” que varia, a variável “N.º de Ações emitidas” também se altera, por vezes de forma dramática.

Quando o n.º de ações emitidas aumenta, os gráficos das cotações disponibilizados pelos serviços de informação financeira são ajustados retroativamente, de forma a que a variação de longo prazo esteja refletida. No caso do gráfico acima – como em tantos outros – houve uma série de reverse splits (fusões, ou junções, de ações) seguidos de emissões de novas ações, que fizeram com que as cotações do passado fossem ajustadas para cima.

Resumindo, é falso que a Europlasma alguma vez tenha estado sequer acima de 10 € por ação, porém é verdadeiro que a ação desceu mais de 99,9% desde o seu máximo.

Num e-mail anterior falhei-lhe na função social do mercado de ações, que era financiar as empresas e, caso não seja a pessoa mais altruísta do mundo, deu por si a pensar: “mas o que é que eu tenho a ver com isto? O que eu quero é ganhar!”

Certo, você quer ganhar, mas nem todas as empresas estão na bolsa para lhe proporcionar ganhos… muitas estão na bolsa porque precisam de financiamento, ou seja, de dinheiro. Dinheiro de quem? Do seu e dos outros potenciais investidores.

O paradoxo da bolsa é que serve para financiar as empresas, porém as ações que sobem em termos de longo prazo são as das empresas que não precisam de financiamento, porque têm negócios lucrativos, ou com boas perspetivas e balanços relativamente saudáveis.

Como é que se distinguem as empresas que precisam de financiamento – e por tal têm tendência a emitir novas ações – e as que não precisam e por vezes até compram ações próprias? Não querendo alongar-me muito, existem três métodos:

 – Ver a estrutura acionista. Se a empresa tiver acionistas de referência, que efetivamente mandam na empresa e não querem ver a sua posição diluída, é pouco provável que existam emissões de novas ações no futuro;

 – Construir um gráfico com o n.º de ações emitidas pela empresa em cada ano, obtendo dessa forma um track record que dará indicações valiosas para o futuro;

 – Avaliando alguns rácios do Balanço, nomeadamente o current ratio (acima de 2 será ótimo), o debt to equity ratio (abaixo de 0,5 é bom!) e o net debt to EBITDA (em termos gerais, os analistas não gostam de o ver acima de 3).

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